Entre os dias 21 e 23 de fevereiro de 2019, aconteceu, em São Paulo, o Encontro de Lançamento e Construção Coletiva da Rede Brasileira de Lugares de Memória (Rebralum), marco inaugural da articulação nacional entre instituições dedicadas à preservação das memórias das violações de direitos humanos e das lutas por justiça no Brasil. O evento reuniu organizações de diferentes regiões do país e resultou na assinatura do documento de criação da rede, consolidando um processo colaborativo que vinha sendo construído ao longo de anos.
Realizado no Museu da Imigração, no Memorial da Resistência de São Paulo e na antiga Auditoria Militar, o encontro teve como objetivo fortalecer vínculos entre iniciativas que atuam na salvaguarda de arquivos, espaços, narrativas e experiências relacionadas à memória, verdade e justiça.
No primeiro dia, as instituições participantes apresentaram seus históricos, refletiram sobre seus desafios e apontaram caminhos comuns para o fortalecimento de ações voltadas aos direitos humanos. A programação incluiu sessões de debate e visitas guiadas, nas quais foram discutidas as dificuldades enfrentadas pelos espaços de memória, os processos de apagamento histórico e os desafios de consolidar políticas públicas que garantam sua preservação.
O segundo dia de atividades teve como foco as visitas guiadas às exposições do Memorial da Resistência de São Paulo, onde foram abordadas questões como o papel do antigo DOPS/SP, o uso de testemunhos como ferramenta de reconstrução histórica e as disputas narrativas em torno da ditadura e de suas memórias. Também foram discutidos os impactos dos cortes de verbas públicas e as estratégias das instituições para seguir atuando em um cenário adverso.
No terceiro dia, as atividades ocorreram na antiga Auditoria Militar, com uma visita guiada que contextualizou o funcionamento do prédio durante a ditadura e problematizou a necessidade de proteção e ressignificação de espaços marcados pela repressão.
A criação da Rebralum emerge como resposta à urgência de preservar, proteger e difundir memórias fundamentais para a democracia e para a garantia da não repetição de violações. A rede nasce comprometida com a valorização da diversidade de experiências e com o fortalecimento das organizações que, em todo o país, trabalham para iluminar as histórias de resistência e de luta por direitos.